quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Tática da Segurança Paulistana

Ontem, dia 19/08/2008, fui mais uma vítima do rítimo paulistano. Chamo de rítimo pois a própria PM não considera mais um incidente uma pessoa ser assaltada. Eles consideram parte do cotidiano.

Meu caso ocorreu na Rua Teixeira Leite, bairro do Glicério, em baixo do viaduto ligação leste-oeste nas proximidades da enorme Igreja Pentecostal.

O meliante quebrou o vidro do meu carro, e levou minha bolsa.

Na próxima quadra, ainda em baixo do viaduto, exite um posto PM móvel. Parei junto deles, minha mãe estava junto, nervosa.

Nos receberam com atenção, ficamos uns instantes por lá. ofereceram água..

Mas em conversa com a equipe responsável pelo patrulhamento da região, tive minha segunda frustração do dia: eles sabem que isso ocorre há poucos metros deles, sabem quem são (menores de idade), pegaram meus dados para contato, pois eles sabem ondem eles descartam as coisas que não servem para eles (pegam grana e celular e jogam a bolsa) e a PM nada podem fazer porque não tem pessoal suficiente para atender todos os pontos.

Depois disso, para todos que converso, poucas são as pessoas que ficam indignadas com o ocorrido. A maioria já sabe que isso acontece em São Paulo, como eu mesma sabia.

O mais interessanté, é que poucas são as pessoas que acham que isso precisa ser diferente, que precisamos acabar com essa criminalidade, tirar esses bandidos-mirins das ruas. Todos me falam que eu DEVERIA TER COLOCADO MINHA BOLSA NO CHÃO.

Interessante como nossa sociedade se acostuma com os problemas, e convive com eles. Esse é o povo brasileiro. Sempre feliz com o que tem.

E eu, que ainda assim me sinto vítima, preciso entender que isso acontece mesmo. E preciso mudar meu estilo de vida.

Olha as loucuras que as pessoas te orientam:
-Saia com duas bolsas sempre, uma de isca, sem nada dentro. Se ele te roubar, leva essa (legal essa, vou montar uma loja: acessórios para roubo)
-Não saia com todos os seus cartões, leve apenas uma folha de cheque e pouco dinheiro. (para quem já acha cansativo separar a roupa no dia anterior, para sair cedo, mais uma atividade: organizar bolsa e carteira)
-Não deixe sua bolsa em cima do banco do carro. (Você acha que as pessoas nas ruas são gente? são animais, cuidado com eles! e não podem ser abatidos, são protegidos pelo meio ambiente)
-Ande com os vidros sempre fechado, diz a secretária de segurança pública (certo, e o vidro dever ser a prova de pedradas, ou já existe de borracha?)
-Nunca se distraia (quer se distrair? vá ao cinema! não se distraia durante os cinco minutos de cada semáforo de São Paulo)
-Fique olhando para todos os lados, e olhe pelos retrovisores para não ser surpreendido (ninguém é estressado em são paulo, o que custa aumentar um pouquinho a adrenalina a cada semáforo?)
-Procure parar nas faixas do lado esquerdo, isso inibe ação dos meliantes (ótimo, vamos eliminar as outras faixas, ou deixa elas para os trouxas desavisados)
-Distância do carro da frente, para você poder ter reação de avançar em caso de roubo (são paulo quase não tem trânsito, qual o problema de cada carro ocupar o lugar de dois?)
-A noite, diminua a velocidade para não precisar parar em semáforos (não tem mais ninguém de carro a noite em sampa.. você vai ser o único! e eu fui assaltanda durante o dia..)
-Ah, a rádio trânsito ajuda traçar rotas de fuga de trânsito (vou montar uma rádio de rotas para fugir de pontos de bandidos)

Tá, mas isso é só em relação a você dentro do seu carro, nessa gigantesca cidade com enorme arrecadação tributária.

Agora faço um paralelo de controvérsia: A Lei Seca.
O governo, e todas entidades públicas de modo geral, dizem não poder fazer nada a respeito do desrespeito a vida do Paulistano. Paulistano que tanto trabalha e faz o país crescer.
Todos nós estamos BEM informados sobre a Lei Seca. Desde o primeiro fim de semana da Lei, surgiram policiais de todos os lugares. Eu nunca vi tanta ostensividade na minha vida (eu não convivi com a saudosa época da ROTA).

Fico me perguntando, se não tem policiamento para acabar com a bandidagem, como apareceram TANTOS para aplicar multa R$ 957,20?

Então, sem criticar o projeto de Lei Seca, mas tirando proveito dele. Em pouco mais de um mês de fiscalização, 30% de redução do atendimento do SAMU. Será que um projeto agressivo, para o fim da impunidade, não seria a solução?

Analisando o caso do cinto de segurança. Muitos, da minha idade, lembram que não precisávamos usar cinto quando jovens. Existia a Lei, mas não havia fiscalização. Muitos morreram, se deformaram.. enfim. Hoje, não existe mais fiscalização severa, mas todos se acostumaram a usar. E a nova geração, já vem sendo orientada a usar, como sendo parte do processo de dirigir.

Imagine o seguinte: uma agressiva proteção aos paulistanos, sejam transeuntes, sejam motoristas. Toda a polícia é convocada, turnos dobrados, policiamento extra. Parceria até com o exército, se a política permitisse.
Durante dois meses. Por dois meses, os meliantes não conseguiriam, de modo algum, dinheiro fácil para drogas. Eles precisariam mudar o hábito deles, como nós tivemos que fazer com o nosso. Em pouco tempo, as pessoas, inclusive os animais que ficam soltos pelas ruas, se acostumariam que não se pode roubar, porque a polícia está por perto, e prende mesmo. Mata se eles ameaçarem a vida do cidadão de bem.

Seria como o cinto de segurança. Não precisa mais de blitz do cinto. Simplesmente usamos. Um ou outro esquece, acontece. Mas fica fácil localizar um ponto preto no universo branco.

A criminalidade seria a mesma coisa. Acabaria. Os poucos que sobrassem, seria facilmente identificados.

A própria população pode ajudar, se souber que a polícia dá o resguardo necessário. Mas como povo pacífico, não tomamos atitudes. Estamos sempre correndo para trabalhar. Ficamos criando regras loucas, como as que citei, para conviver na cidade que nós mesmos construímos.

Já temos que acordar na correria, pegar o trânsito todo, trabalhar bastante, arrumar tempo para saber das notícias, estudar, fazer exercícios e ter lazer. Acho mesmo que paulistano é louco.

Mas quem sabe um louco lê esse texto, e pensa em uma loucura maior para fazer a idéia sair do papel?